Além do impacto no
campo da saúde, qual será o impacto na economia decorrente da COVID-19?

O triste legado da COVID-19 na economia será uma espantosa
destruição de valor, reflexo da ruptura econômica generalizada com enormes
impactos tanto na demanda decorrente do desemprego como impacto direto em
segmentos do turismo, hotelaria, entretimento e outros que também irá gerar
indiretamente nos demais segmentos sobreviventes da economia no curto prazo.
Iremos retroceder muitos anos. (Com Dilma retrocedemos 10 anos, e podemos
retroceder muito mais por conta da pandemia).
Como as empresas
brasileiras estão se comportando? Quão mais elas suportarão?
As empresas no Brasil possuem situações diferentes, pois
alguns setores estão sendo muito exigidos e a crise é uma oportunidade. Outros
estão sendo impactados diretamente com a queda da demanda e ainda podem sofrer
no curto prazo a pressão por custos devido ao câmbio, o que torna um desafio
complexo. Muitos setores já anunciaram demissões, estão tentando sobreviver e
se ajustar. Difícil dizer o quão elas suportarão, depende de cada empresa como
também depende do segmento de atuação e do tempo que ainda será necessário o
isolamento. O certo é que empresas mais conservadoras (tendo reservas, caixa e
pouca dívida) devem ter uma possibilidade de sobrevivência maior. No curto
prazo podemos verificar o risco de uma concentração nas empresas sobreviventes,
mas para o futuro muitas oportunidades devem surgir pelo desaparecimento de
empresas como novas oportunidades de negócios (mesmo que tradicionais).
O que esperar do
Brasil, quando existiam aparentes sinais de uma recuperação econômica, após
anos de crise?
Infelizmente como diz o ditado, quando a maré baixa que se
descobre quem está nadando nu, e assim o Brasil após erros de gestão econômica
entrou muito mais fragilizado (nu) do que muitas outras economias no enfrentamento
da pandemia. Essa fragilidade se traduz em um espaço de manobra pequeno,
adicionando maior desafio para atender uma já enorme necessidade (mais de 10
milhões desempregados adicionais como previsão, aos já 11 milhões existentes).
E infelizmente outro fator que tem potencializado o impacto negativo é a
política. Devemos esperar tempos muito mais difíceis e enormes desafios como
Nação.
O câmbio já
apresentava uma tendência de desvalorização, mas com a pandemia se acelerou. O
nível de R$ 6/USD será um novo patamar? Quais impactos mais devemos esperar?
Com o novo governo, importante medidas estruturais estavam
sendo implementadas (Reforma da Previdência e a redução da taxa de juros por
exemplo) e neste novo cenário um ajuste estava ocorrendo. A partir da Pandemia,
é claro que se acelerou e intensificou, de forma até demasiada, como reflexo da
falta de liquidez do momento, o famoso "voo para qualidade" (ativos
mais seguros e líquidos) como também de especulação financeira. Como importamos
muitos produtos, mantendo-se este nível cambial o primeiro impacto inevitável
será na inflação e, como consequência, podemos ter um movimento de aumento de
juros para combater.
Para evitar uma
disparada do câmbio o governo tem vendido milhões de dólares, aparentemente sem
resultado. Até quando as reservas do país poderão suportar?
A atuação do Banco Central vendendo dólares tem o intuito de
reduzir a volatilidade oferecendo liquidez e não de definir um patamar de
cambial. Como vivemos uma situação sem precedentes, é difícil saber se não está
tendo resultado. Caso o Banco Central não vendesse qual seria o patamar atual e
quais os possíveis impactos que essa ruptura poderia causar? Diferente do
passado, o nível de reservas é alto, comparando com cenários conhecidos, mas é dificil
dizer se serão suficientes.
Há muito tempo o
agronegócio tem sido a locomotiva do PIB brasileiro. Como ele deve se comportar
no cenário pós pandemia?
? verdade que o setor do Agronegócio Brasileiro há muito
tempo é motivo não somente de orgulho, mas também de eficiência e geração de
riqueza. Porém não podemos deixar de relembrar que exportamos apenas
commodities e seria uma oportunidade para agregar mais valor e vender um
produto acabado (Alemanha é um dos maiores produtores de café torrado e moído).
A taxa de câmbio alta favorece a precificação das exportações, mas em
contrapartida impacta o custo de produção, como também se traduzir em
encarecimento dos produtos porém uma demanda menor no curto prazo pode
equilibrar a equação. De qualquer forma os alimentos são e serão ativos muito
importantes no futuro e, se o Brasil souber desenhar uma estratégia, pode se
favorecer muito no médio e longo prazo.
Falando de
commodities, o petróleo terá seu fim ou ainda continuará como um termômetro da
economia mundial?
Como reflexo da pandemia, o isolamento impactou na
mobilidade de forma significativa. Companhias aéreas cancelaram 95% dos voos,
as pessoas não têm viajado ou mesmo transitam de carro em suas cidades (mesmo
no Brasil por exemplo São Paulo, 50% da população está na quarentena). Não
acredito que o petróleo terá seu fim, pelo contrário, devido à pandemia devemos
retroceder muitos anos e assim investimentos em novas fontes de energia como as
respectivas tecnologias para utilizá-las serão postergados. Dessa forma acho
que a pandemia proporciona algumas décadas de sobrevida, e, sim, ele continuará
por mais um período como termômetro econômico.
E sobre a forma de
trabalhar, o home office virou necessidade e uma nova realidade? Como irá
impactar outros segmentos, como o comércio?
O home office já é uma realidade na Europa e Estados Unidos,
enquanto que o Brasil vem adotando de forma tímida onde as empresas avaliam
reduzir custos imobiliários como também oportunidade para oferecer mais
qualidade de vida aos funcionários. Nas empresas que tenho atuado, o home
office vem sendo adotado, mas é certo que a cultura e processos ainda não
estavam preparados 100%. Independente da empresa ou setor, a digitalização e
automação dos processos estavam longe, mas agora será um tema muito discutido.
E será nova necessidade como realidade.
Como irá impactar
outros segmentos, como o comércio? E o que fazer?
Todos os negócios serão impactados e, para o empreendedor, a
questão é como alcançar o consumidor, pois o fluxo se inverteu, e esse é o
maior desafio. A demanda pode ter se reduzido mas ela ainda existe. Reflita em
qual canal que você irá alcançar seu público (WhatsApp, Facebook, loja on-line
ou plataforma virtual) e como irá atendê-lo.