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06/Nov/2026 - 15:31:08
HISTÓRIA DE UM PÃO
GRUPO ESPÍRITA SAMARITANOQuando Barsabás, o tirano, demandou o reino
da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de
residência.
A viúva, alegando infinita mágoa,
desfizera-se da moradia, vendendo-lhe os adornos.
Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas
e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias sob o martelo do leiloeiro,
enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da
herança.
Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não
fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos.
E porque na memória de semelhantes amigos ele
não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros
outros da infância...
Todavia, entre estes encontros simplesmente a
recordação dos próprios atos de malquerença e de usura.
Barsabás entregou-se às lágrimas, de tal
modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas...
Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre
vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e, como se a
rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de
súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um
santuário sublime, faiscante de luzes.
Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes
povoavam-no em todas as direções.
Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das
Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento.
Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo,
ante o ministro espiritual que velava no pórtico.
Após ouvi-lo, generoso, o funcionário
angélico falou, sereno:
- Barsabás, cada fragmento luminoso que
contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra...
-Ai de mim-soluçou o desventurado-eu jamais
fiz o bem...
- Em verdade – prosseguiu o informante -,
trazes contigo, em grandes sinais, o pranto e o sangue dos doentes e das
viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de
invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de
louvor...
E apontou-lhe acanhada estrela que brilhava à
feição de pequeno disco solar.
- Há 32 anos – disse, ainda, o instrutor –
deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da
Vida.
Chorando de alegria e consultando velhas
lembranças, Barsabás perguntou:
- Jonakim, o enjeitado?
- Sim, ele mesmo – confirmou o missionário
divino.
- Segue a claridade do pão que deste, um dia,
por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas.
E Barsabás acompanhou o tênue raio do tênue
fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, em vez de elevar-se às
Alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra.
Um homem calejado aí refletia, manobrando a
enxó em pesado lenho...
Era Jonakim, aos quarenta de idade.
Como se estivessem os dois identificados no
doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao
calor do lar.
Decorrido um ano, Jonakim, o carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis.
Com a benção de um pão dado a um menino
triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o
prêmio de renascer para redimir-se.
Espírito Humberto de Campos (Irmão X). Médium
Chico Xavier. Do livro O Espírito da Verdade.
Colaboração da Livraria Espírita Chico Xavier.
O livro cristão é alimento da vida eterna.
Espalhá-lo é servir com Jesus.