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10/Out/2026 - 13:58:43
Major João Modesto de Castro, atuante cidadão
Redação(...)
Major João Modesto de Castro foi quem impediu que demolissem a cabana de zinco
de Euclides, hoje monumento nacional. Lutou, com um grupo de amigos, para o
embelezamento do que é hoje o Recanto Euclidiano, conseguiu uma verba junto ao
jornal O Estado de S. Paulo, e com ela encomendou a um artista da capital a
confecção da efígie que ornamenta o monumento de pedra, em homenagem
ao famoso escritor. Foi ele que também emprestou a Euclides os exemplares desse
jornal, de que o engenheiro-escritor necessitava para consultar as cartas que
enviara como correspondente de Canudos.
Para os
que estão ainda pensando: "grande coisa!", há argumentos mais
consistentes, que importam também aos não-euclidianos. Em 1904, Major João
Modesto de Castro começou a reunir em sua casa uma comissão para trabalhar pela
construção da Santa Casa de Misericórdia, de que foi também provedor por muitos
anos. Doou ao padre Euclides Carneiro uma casinha, para que pudesse nela
abrigar idosos, dando início, assim, ao asilo que ganhou o nome desse padre.
Fez, também, a doação de outra casinha, para que nela funcionasse o Orfanato
Anália Franco, que depois se transformou no Educandário São José. Ainda fez
parte do grupo que ergueu a primeira Loja Maçônica na cidade. Perdeu sua única
filha, jovem ainda, vítima da tuberculose, passando, depois, a criar filhos
adotivos.
É
citado em várias reportagens antigas como homem íntegro, correto, preocupado
com a comunidade, espírita caridoso. Gostaria, humildemente, de acrescentar:
inteligente, com uma grande visão de futuro, deixou bem registrados, em um
diário manuscrito, os fatos da época da reconstrução da ponte, que observou
como pescador que era, ali nas proximidades do local dos trabalhos.
Ao
major João Modesto de Castro, aqui deixo registrada publicamente minha
admiração por sua atuação em nossa história e confirmo meu agradecimento pela
coragem de assumir posição de vanguarda na luta pelo progresso da cidade.
Trechos
extraídos do artigo "Uma Questão de Justiça", de Maria Olívia Garcia
Ribeiro de Arruda, agosto de 2002.