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13/Jun/2026 - 13:27:09
Copa do Mundo de 2026
RedaçãoCom a vitória do México sobre a África do Sul por 2 a 0,
teve início mais uma edição da Copa do Mundo. O Brasil estreia neste sábado,
dia 13, às 19 horas, diante da seleção de Marrocos. A Copa de 2026 já entrou
para a história como a maior de todos os tempos, reunindo 48 seleções, 104
partidas e três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. No entanto, o
torneio também corre o risco de ser lembrado por outro motivo: a incapacidade
da FIFA de defender, na prática, os princípios de igualdade, inclusão e
universalidade que afirma representar. Ao longo dos últimos anos, a entidade
presidida por Gianni Infantino demonstrou uma postura cada vez mais próxima do
governo norte-americano. A relação cordial com Donald Trump, amplamente exibida
em eventos públicos e encontros oficiais, levanta questionamentos sobre a independência
da FIFA diante das decisões políticas do principal país-sede da competição. As
críticas ganharam força diante das dificuldades enfrentadas por delegações,
árbitros e representantes de determinados países para ingressar em território
norte-americano. Enquanto cidadãos de algumas nações encontram barreiras,
restrições e exigências adicionais, outras de legações circulam sem maiores
obstáculos. O resultado é uma sensação de tratamento desigual incompatível com
o espírito de uma competição que deveria reunir o mundo em condições de
igualdade. A situação tornou-se ainda mais controversa quando a FIFA adotou uma
postura de aparente passividade diante das regras migratórias impostas pelo
governo dos Estados Unidos. Em vez de exigir garantias para todas as seleções
participantes, a entidade limitou-se a afirmar que questões de imigração são de
responsabilidade exclusiva dos governos nacionais. Na prática, isso significou
abrir mão de parte do controle sobre as condições de participação no maior
evento do futebol mundial. O problema não se restringe à logística. O que está
em jogo é a credibilidade da própria FIFA. Durante décadas, a entidade se
apresentou como uma organização capaz de unir povos, culturas e nações por meio
do esporte. Porém, quando aceita que determinadas delegações enfrentem obstáculos
que outras não encontram, transmite a mensagem de que alguns participantes são
mais bem-vindos do que outros. Outro ponto que gera debate é a manutenção do
afastamento da Rússia das competições internacionais em razão da guerra na
Ucrânia, enquanto os Estados Unidos seguem ocupando posição central na
organização do torneio. Independentemente da opinião de cada um sobre o conflito,
a comparação alimenta questionamentos sobre a coerência dos critérios adotados
pela FIFA e sobre o peso político das decisões tomadas pela entidade. A Copa
do Mundo deveria ser uma celebração do esporte acima das disputas geopolíticas.
No entanto, quando decisões políticas interferem diretamente na participação de
atletas, dirigentes e profissionais envolvidos no evento, a competição perde
parte de sua essência. A FIFA teve diversas oportunidades para demonstrar independência,
defender tratamento igualitário e exigir garantias para todos os participantes.
Preferiu, contudo, uma postura discreta, evitando confrontos com o governo do
país que concentra a maior parte dos jogos do torneio. Por isso, para muitos
observadores, a Copa de 2026 corre o risco de ser lembrada não apenas pelos
recordes de público, pela expansão do formato ou pelos espetáculos de abertura.
Pode ser recordada como a Copa em que a FIFA deixou de liderar para
simplesmente acompanhar decisões políticas externas, abrindo mão de princípios
que sempre afirmou defender. O futebol continua sendo uma paixão universal. A
questão que permanece é se a FIFA ainda está disposta a agir como uma entidade
verdadeiramente global ou se se tornou apenas uma espectadora das conveniências
políticas de seus anfitriões.