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25/Set/2021 - 14:14:00
Pescando Biguá em Bataguassu
Felipe Quessada

A sabedoria popular afirma que todo pescador é um mentiroso. Existem muitas histórias a respeito das histórias de pescadores. Muitas delas inventadas até por quem nunca pescou, para desprestigiar a classe. São intrigas da oposição, com certeza.
Qualquer pescador consultado vai dizer que ainda não pescou o peixe que deseja, mas já fisgou outros de bom tamanho. Vai falar que bom mesmo foi um que escapou. E que pescador já não perdeu aquele peixe enorme, que arrastou linha e fez a carretilha cantar? Isso acontece a todo o momento.
A emoção diante do desconhecimento sobre que bicho está no fundo, na ponta do anzol, muitas vezes até induz a erro, causando a impressão de que o peixe fisgado é enorme. Retirado da água, essa impressão se desfaz. E quando ele consegue escapar, aquela primeira ideia permanece, como se estivesse perdendo o maior de todos. No fim do dia, não ficam as histórias dos peixes pescados, mas daqueles que escaparam por um triz.
UMA BRUTA PESCARIA
Ã? comum ouvir dos mais saudosistas que uma bruta pescaria somente se fazia no passado. Ã? que hoje, com a poluição e outras coisas mais impostas pelos homens pouco sensatos, ficou muito difícil isso acontecer.
Mas para provar que as coisas não estão tão ruins, os rio-pardenses Renato Capuano, Fernando Rossetto, Nelson Galego, Luis Venezian, Juvenal Antonio (Nal), José Marchitti (Zé Bétio), Roberto Tonetto, Lito Junqueira, Mauro Barbosa (Maurão) e Fábio Carrara (Gordura), se aventuraram, faz um tempo, no rio Paraná, município de Bataguassu, divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde se hospedaram na Pousada do Patrão, local privilegiado, que oferece aos seus hóspedes um lugar ideal para quem gosta de curtir a natureza e uma boa pescaria. Isso aconteceu agorinha mesmo, no mês de junho.
Embarcaram bons e grandes Tucunarés, um resultado excelente que compensou os mais de mil quilômetros rodados, entre ida e volta. Eles fizeram, de verdade, uma bruta pescaria.
UMA PESCARIA BRUTA
Ã? comum nestas ocasiões contratar um piloteiro que resida no local, para auxiliar na empreitada. Ele pilota, executa as tarefas mais maçantes, como o constante descer e subir da poita, amarrar o barco nas galhadas, desenroscar anzóis, instalar e retirar o motor do barco, manter o tanque cheio de combustível, ajudar a embarcar os peixes maiores e, para arrematar, limpá-los no fim do dia ou no meio da madrugada. Não é fácil.
Para essas â??pequenasâ?� tarefas foi ajustado, entre outros, o gentil e alegre Samuel, que por vários dias e noites encarou a bocada, agüentando sem reclamar o sistema bruto dos pescadores rio-pardenses.
Numa daquelas noites de regime intenso de atividades, a dupla Renato e Fernando embarcou um graúdo Tucunaré e decidiu comemorar, fazendo uma pausa e degustar umas e outras. Nisso a vara do Samuel tomou um puxão, daqueles que assusta até os mais experientes. E ai começou a â??brigaâ?�: puxa daqui, recolhe dali, liga o motor para acompanhar o bicho (que puxava rio acima); até que o cansaço o fez parar. Os pescadores se aproximaram com o barco até a margem do rio e quase caíram das pernas, pois não se tratava de um peixe no anzol, mas de um enorme Biguá. Fernando preparava sua máquina para fotografar a cena, o â??penosoâ?� bateu azas e acertou de cheio o Fernando, fazendo com que a máquina caísse no rio. Renato, decepcionado e cansado prometeu ao Fernando que no ano que vem levará equipamentos especiais que o ajudarão a reaver a câmera de estimação do amigo.